Tenho um ranking privado das atividades felinas nos quadros de Waliszewska. Em terceiro, gatos a participar em rituais. Em segundo, gatos a participar em batalhas. Em primeiro, e com larga vantagem, gatos a fumar cigarros. É um mundo sombrio, folclórico e onírico, em que a morte nunca está longe. Há seiscentos anos, Piero della Francesca pintava figuras como estátuas, ao mesmo tempo masculinas e femininas, e só com luz, sombra e cor conseguia dizer tudo o que queria sobre elas. Waliszewska também o consegue.
O pintor
Aleksandra Waliszewska (n. 1976) licenciou-se na Academia de Belas-Artes de Varsóvia. As suas cenas sombrias, folclóricas e oníricas, cheias de gatos, monstros e mulheres suspensas algures entre o ritual e a morte, valeram-lhe um culto que vai muito além do mundo da arte, até à música e à moda. Entre as exposições individuais recentes contam-se a Lévy Gorvy Dayan em Londres e a Dawid Radziszewski Gallery em Varsóvia.