Nos quadros de Karolina ora está frio, ora está calor, e sinto mesmo a temperatura que vem da tela, embora não faça ideia de que poderes usa para isso. Este quadro nasceu durante uma residência no The Fores Project, em Londres, e remete para a expressão francesa „L'appel du vide”, o „chamamento do vazio”, aquele impulso súbito e difícil de explicar de fazer algo perigoso ou irracional, mesmo sem qualquer intenção de o fazer. Um dia hei de pensar nisto mais a sério. Por agora, ainda estou a apanhar o queixo do chão depois de reparar que Karolina decidiu pôr no congelador também um raminho de aneto.
O pintor
Karolina Jabłońska (n. 1991) licenciou-se na Academia de Belas-Artes de Cracóvia e cofundou o grupo Potencja. Pinta o corpo a partir de dentro da emoção, muitas vezes o seu próprio, ampliado e empurrado para lá do conforto, com uma cor fria ou quente que quase nos faz sentir a temperatura a sair da tela. Recebeu o segundo prémio na bienal de pintura „Bielska Jesień” e expôs no Museu de Arte Moderna e na galeria Raster, em Varsóvia.